Reflexões sobre eutanásia
A propósito de um dos temas atualmente em debate na sociedade portuguesa - a eutanásia - tenho demorado a formar uma ideia e, mesmo agora, não sei se a tenho bem ancorada em razões lógicas e, por isso, humanas...
Interessam-me as razões filosóficas, da condição humana que todos temos e menos as religiosas ou fundamentalistas e radicais.
Pelo que leio, os opositores, por questões religiosas, pecam por basear os seus argumentos na transcendência, no dogma, na não razão; os defensores tendem a confundir a liberdade individual com vinculação de outros a essa liberdade.
Por mim penso que o caminho seria o da aposta nos cuidados paliativos como garante da dignidade humana até ao fim da vida e não vejo porque razão o testamento vital ou a Diretiva Antecipada de Vontade, como lhe quisermos. chamar, não satisfaz o requisito dessa mesma liberdade individual.
Quando se vai além disso não se está apenas no campo dos direitos individuais mas também se está a condicionar a liberdade individual de quem se envolverá no processo por ser profissional de saúde, por ser familiar...
Agostinho da Silva afirmava que “nenhum de nós poderá, num momento qualquer, garantir que a sua doutrina seja a que encerre a verdade; os desmentidos surgem a cada passo, as incertezas vão sendo mais fortes è medida que se penetra com maior informação e mais atenta inteligência no mundo que nos cerca.”
Logo o caminho parece-me ser o de garantir, enquanto sociedade, a dignidade humana até ao fim do que entendemos como vida mesmo que esse seja o caminho mais difícil...
Agostinho Arranca©
Quadro de Gustav Klimt "Morte e Vida"
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