Censos e o concelho de Vila Viçosa


Foram conhecidos os dados preliminares dos Censos 2021.

O concelho de Vila Viçosa, acompanhou a tendência nacional de decréscimo da população residente, no entanto, com uma variação negativa muito mais preocupante, na ordem dos -11,2%, enquanto a média nacional se situou nos -2%.

Parte desta "sangria populacional" pode  explicar-se pela crescente litoralização do país e pela tendência crescente da população em concentrar-se em torno da capital, mas isso não nos isenta da responsabilidade de uma urgente e profunda reflexão sobre as causas destes fenómenos.

Mais, não isenta de responsabilidades quem conduz os destinos dos territórios há décadas ou se candidata agora para os assumir...

Ainda temos, segundo a minha opinião, que fazer incidir a nossa análise sobre outros vetores. É o caso da redução do número de agregados, esta sim, em contraciclo com a tendência nacional de crescimento.

O concelho de Vila Viçosa registou, desde 2011, um decréscimo no número de agregados na ordem dos -4,2% enquanto no todo nacional estes aumentaram 2,7%.

As pessoas, os jovens, estão a constituir família, a organizar a sua vida e futuro em agregados familiares de menor dimensão, mas maioritariamente fora do nosso concelho, que não os atrai nem sustenta.

Nesta análise, que ainda é preliminar, dos censos 2021, importa por na agenda, levar as pessoas em geral, os políticos locais em particular, a refletir sobre algumas questões:

- não será com a continuidade de políticas adotadas até agora que se conseguirão reverter estas tendências;

- não será com a desculpabilização, com as tendências nacionais ou regionais, que nos isentaremos  de responsabilidades para com as nossas gentes e território;

- é um facto que o concelho de Vila Viçosa perdeu população de forma acentuada, perdeu ativos importantes e jovens capazes, que vão constituir novos agregados fora do nosso concelho;

- as políticas e os apoios sociais, tão importantes para os mais vulneráveis, não são, nem a melhor nem a única arma para combater este flagelo. A fagotização de respostas por várias instituições, a substituição de entidades pela autarquia quando faz pior e sobrepõe respostas, mas tudo isto com base, não na criação real de emprego, mas nos vínculos precários e no esgotar abusivo de direitos dos trabalhadores desempregados, não dinamiza o tecido social, antes o atordoa;

- a aposta no património e no turismo não serão a "varinha mágica" dos problemas do concelho e da fixação das suas gentes. Não nos podemos esquecer que a grandiosidade do nosso património e a glória de outras eras só existiu porque antes foi inovação, arrojo, coragem e futuro, não passado;

- o apoio às famílias terá de passar obrigatoriamente por um  maior envolvimento do município em mais e melhor educação, saúde, na captação de emprego qualificado e bem remunerado, na inovação tecnológica e social, no apoio e não na substituição de respostas sociais e económicas, na valorização de quadros e competências municipais, na melhoria da rede de transportes entre o concelho e os grandes centros...

- a discussão sobre estes temas deve ser séria e urgente, fundamentada e estratégica, a bem das nossas gentes e do futuro do nosso concelho, feita nos órgãos próprios como a Assembleia Municipal ou nas organizações sociais do concelho, abandonando uma estratégia trauliteira e caciquista, muitas vezes seguida até agora.


Agora, Vila Viçosa tem opções.

Agora, Vila Viçosa tem oportunidade.

Agora, podemos começar a trabalhar para inverter esta situação.

Agostinho Arranca
30 julho 2021

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